Os alunos do 4J são uma presença constante na biblioteca escolar. Hoje, trocaram-nos as voltas - fomos, agradavelmente, convidados para irmos até à sua sala. E porque estas coisas são assim - sala e de aula e biblioteca refletem-se mutuamente -, lá fomos.
Fomos muito bem recebidos pelos alunos e pela professora Vera. Tinham uma bela atividade para a biblioteca - tão boa que o professor bibliotecário não hesitou em dar-lhe o excelente nome de "Gabinete Camões 4J".
Os alunos abrem os trabalhos sentados em meia-lua e, conduzidos pela professora Vera, oferecem uma partilha de dados biográficos de Luís de Camões. De dedos no ar e muito participativos, não deixam escapar nada. Nem os amores nem o olho perdido no Norte de África.
Da biografia passou-se para a poesia. Mas os amores continuam. Poema projetado - Verdes são os campos de cor de limão - e numa bela interpretação, os alunos compreendem que o verde dos campos são os olhos de um amor passado do poeta. A expressão poética tem destas coisas e os alunos ficam satisfeitos de compreender que as ervas verdes - o que veem - pode ser símbolo de outro coisa: a graça dos olhos verdes de quem se gosta.
Da leitura e interpretação, passa-se para a declamação. E é um gosto: alto, baixo, rápido, lento, melódico, sincopado - os versos são ditos de muitas maneiras e é uma verdadeira polifonia. Cada um lê Camões com a sua voz, com o seu gosto - vitória, vitória, esse era um dos objetivos da biblioteca. Mas esta história ainda não chegou ao fim.
Da declamação passou-se para a música e para o ritmo. Distribuíram-se instrumentos, ensaiar-se ritmos e, por fim, musicou-se o poema de Camões. A missão da biblioteca escolar cumpriu-se. E Camões voltou a não morrer. Muito obrigado à professora Vera e aos seus alunos pela excelência destes estudos-ensaios-convívios camonianos!
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