Blogue das Bibliotecas Escolares do Agrupamento de Escolas de Samora Correia, concelho de Benavente, distrito de Santarém.
A nossa escola sede está linda e composta com a fabulosa exposição de réplicas do Museu do Prado:
1º ciclo
“O Inverno”, de Eugénio de Andrade
Velho, velho, velho.
Chegou o inverno.
Vem de sobretudo,
vem de cachecol,
o chão onde passa
parece um lenço.
Esqueceu as luvas
perto do fogão:
quando procurado,
roubara-as um cão.
Com medo do frio,
encosta-se a nós:
dai-lhe café quente
senão perde a voz.
Velho, velho, velho.
Chegou o Inverno.
Rimas -
Rima Lina com buzina,
Joana com Tarlatana,
Rima sardinha com espinha
ea chama com quem a inflama.
Rima o selo com a carta,
Rima o Zé com a Maria,
Rima o Júlio com a Marta,
Rima o barco com baía.
Rima o Luís sem decidir
Com a sensata Susana,
Rima a Luísa só riso
Com o bisonho Pestana.
Rimam viola e cantigas,
Rima frio com calafrio,
Rimam direitos e urtigas,
Rima Bugio com navio.
Rima tudo ou se não rima
Rima quase, rente à escama
Da tainha, que é menina,
Com o robalo que a chama
E o nabo rima com a rama.
Rima o pão com manteiga,
Rima antes com depois,
Rima meiguice e carinho
E nós rimamos os dois.
Tomar
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz
E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais ...
Vinícius de Moraes
Nirvana
Viver assim: sem ciúmes, sem saudades,
Sem amor, sem anseios, sem carinhos,
Livre de angústias e felicidades,
Deixando pelo chão rosas e espinhos;
Poder viver em todas as idades;
Poder andar por todos os caminhos;
Indiferente ao bem e às falsidades,
Confundindo chacais e passarinhos;
Passear pela terra, e achar tristonho
Tudo que em torno se vê, espalhado;
A vida olhar como através de um sonho;
Chegar onde eu cheguei, subir à altura
Onde agora me encontro - é ter chegado
Aos extremos da Paz e da Ventura!
Antero de Quental
Os pequenitos do 1º B4 conheceram, hoje, Emma Dodson e o seu mal desenhado cão.
Depois, foram convidados a criar o seu próprio animal mal desenhado. Nós achamos que eles têm muito talento!
Parabéns, meninos!
Durante esta semana, vamos iniciar todos os dias com poemas selecionados para cada um dos ciclos.
E os de hoje foram:
1º ciclo
“Canção de Embalar
Bonequinhas Pobres”, de Matilde Rosa Araújo
CANÇÃO DE EMBALAR BONEQUINHAS POBRES
Menina dos olhos doces
Adormece ao meu cantar:
Tenho menina de trapos,
Tenho uma voz de luar…
Os meus braços são a Lua,
Quando ela é o
crescente:
Dorme menina de
trapos,
Meu pedacinho de
gente.
Dorme minha filha
triste,
Meu farrapo de
menina,
Dorme, porque eu
sou a nuvem
Que te serve de
cortina.
Menina dos olhos
doces
Adormece ao meu
cantar:
Tenho menina de
trapos,
Tenho uma voz de
luar…
Ibéria
Terra.
Quanto a palavra der, e nada mais.
Só assim a resume
Quem a contempla do mais alto cume,
Carregada de sol e de pinhais.
Terra-tumor-de-angústia de saber
Se o mar é fundo e ao fim deixa passar...
Uma antena da Europa a receber
A voz do longe que lhe quer falar...
Terra de pão e vinho
(A fome e a sede só virão depois,
Quando a espuma salgada for caminho
Onde um caminha desdobrado em dois).
Terra nua e tamanha
Que nela coube o Velho-Mundo e o Novo...
Que nela cabem Portugal e Espanha
Miguel Torga, POEMAS IBÉRICOS
3º ciclo
Lua
adversa
Tenho fases,
como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua…
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão
e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a
melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua…)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu…
Cecília
Meireles
secundário
Eu, eu mesmo...
Eu, cheio de todos os cansaços
Quantos o mundo pode dar. –
Eu...
Afinal tudo, porque tudo é eu,
E até as estrelas, ao que parece,
Me saíram da algibeira para deslumbrar
crianças...
Que crianças não sei...
Eu...
Imperfeito? Incógnito? Divino?
Não sei...
Eu...
Tive um passado? Sem dúvida...
Tenho um presente? Sem dúvida...
Terei um futuro? Sem dúvida...
A vida que pare de aqui a pouco...
Mas eu, eu...
Eu sou eu,
Eu fico eu,
Eu.
Fernando Pessoa
O interessante desta atividade, para além dos seus benefícios, é testemunhar o empenho e o entusiasmo dos alunos na apresentação da narrat...