As bibliotecas são a maior voz que uma terra pode ter. Não há voz mais alta, mais profunda, mais intensa, mais descobridora do que a voz de uma biblioteca. A voz dela vem da boca do mundo, ela é o mundo inteiro a falar, é uma boca feita de línguas de papel, de muitas línguas que se soltam quando abrimos os lábios das capas, é dentro das suas paredes abertas para todos os horizontes que se concentram as mais belas palavras que já foram escritas, é o tempo antigo a contar coisas aos nossos olhos de agora, é o tempo de agora a contar coisas aos nossos olhos para sempre. Dentro dela só há mulheres vivas e homens vivos, dentro de uma biblioteca não há gente morta, mesmo depois de mortos, todos os que escreveram nunca hão-de morrer. Os livros ficam de pé, os livros estão de pé nas estantes, mas não é para lermos melhor os títulos, é para as palavras estarem verticais enquanto esperam por nós. As palavras importantes vivem de pé, as palavras importantes ensinam-nos a viver de pé, quando lemos estamos sempre de pé na vida. Nas bibliotecas não pode viver o silêncio, o silêncio da reverência mata-as de agonia e aborrecimento, as bibliotecas gostam de luz e de risos, de quadros nas paredes, de escritores com livros dentro das bocas, de crianças escutando sonhos, de jovens pesquisando utopias. Nas bibliotecas tem necessariamente de viver o espanto.
Blogue das Bibliotecas Escolares do Agrupamento de Escolas de Samora Correia, concelho de Benavente, distrito de Santarém.
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